Em 30 segundos
- 1Empate inédito: o Datafolha mostra Lula com 42% e Flávio Bolsonaro com 38% no 1º turno, e 48% a 45% na simulação de 2º turno, dentro da margem de erro de 2 pontos.
- 2Apostas divergem: na Kalshi e na Polymarket, Flávio tem 61% e 62% de chance de vencer; o favorito da Polymarket acertou 13 de 15 eleições no dia da votação.
- 3Prêmio nos preços: o dólar está em R$ 5,22 e os juros futuros longos pagam mais de 14% ao ano, acima da Selic de 13,75%; a dívida bruta chegou a 82,9% do PIB.
- 430 anos de Real: a Bolsa subiu e caiu sob governos de todos os campos: ambiente externo, inflação e fiscal explicaram mais do que o nome eleito.
O Datafolha divulgado na quinta-feira mostra Lula com 42% e Flávio Bolsonaro com 38%, diferença no limite da margem de erro. Quem coloca dinheiro na mesa enxerga outro favorito: na Kalshi e na Polymarket, plataformas de apostas sobre eventos, Flávio tem 61% e 62% de chance de vencer.
Neste domingo, 4 de outubro, 158,7 milhões de eleitores começam a dizer quem leu melhor o país. Esta edição reúne o que importa para o investidor, sem tomar partido.
Primeira vez em 81 anos
Em 1989, 2002 e 2014, o líder estava isolado e a dúvida era quem iria ao 2º turno com ele. Em 1994, 1998, 2006 e 2022, a dúvida era se haveria 2º turno. Em 2026, ninguém sabe quem termina o domingo em primeiro lugar.
O retrato
Por que pesquisa e aposta apontam favoritos diferentes?
A divergência tem explicação simples. A pesquisa pergunta em quem o eleitor pretende votar no 1º turno. O mercado preditivo precifica quem vai tomar posse em 5 de janeiro, o que depende do 2º turno, da transferência de votos e da decisão dos indecisos.
Na simulação de 2º turno do Datafolha, Lula tem 48% e Flávio, 45%. Os 3 pontos ficam dentro da margem de erro, de 2 pontos para mais ou para menos. Em abril, o mesmo instituto mostrava 39% a 35%. Em seis meses de campanha, quase nada mudou entre os dois primeiros colocados.
O que decide o 2º turno
Os demais candidatos somam 13% no Datafolha. Para onde vão esses votos é a pergunta que as plataformas tentam responder. A avaliação do governo entra nessa conta, com 41% de ruim e péssimo contra 35% de ótimo e bom.
Mercados preditivos
Os mercados de apostas acertam eleições?
Até 10 de setembro, Lula liderava na Polymarket com 52% de chance. No dia seguinte, Flávio assumiu a frente e não saiu mais. Na quinta-feira, o senador bateu seu recorde na plataforma, acima dos 60,6% de 22 de setembro. A Kalshi seguiu trajetória parecida.
Um levantamento da XP Política com 15 eleições pelo mundo mostra que o favorito da Polymarket acerta mais quanto mais perto do pleito. No dia da votação, acertou 13 vezes; Holanda e Polônia foram as exceções. A Kalshi, com mais de 2,2 milhões de contratos analisados desde 2021, registra acerto de 90,6% uma semana antes.
eleições em que o favorito da Polymarket no dia da votação venceu
Como funcionam os mercados preditivos
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Como funciona
- Cada contrato paga US$ 1 se o candidato vencer e zero se perder
- Um contrato a US$ 0,62 equivale a 62% de chance
- O preço muda conforme o dinheiro entra de cada lado
Limites
- Quem aposta não forma uma amostra do eleitorado
- Apostas grandes podem mover a cotação
- 62% de chance ainda significa errar quase 4 vezes em 10
O mapa
Onde a eleição será decidida?
O Nordeste dá a Lula vantagens de até 39 pontos. Sul, Centro-Oeste e o cordão oeste do Norte (Acre, Rondônia e Roraima) entregam a Flávio margens parecidas. Com os extremos se compensando, a decisão fica no Sudeste, onde vive 42,6% do eleitorado e as diferenças não passam de 7 pontos.
Em relação a 2022, o Rio é a principal mudança. Jair Bolsonaro venceu no estado por 10 pontos. Flávio aparece 7 pontos à frente, num momento em que o PL perdeu o controle da máquina estadual após a inelegibilidade de Cláudio Castro e a prisão de Rodrigo Bacellar. Em São Paulo e Minas, o quadro repete o resultado de quatro anos atrás.
Os trunfos de cada lado e os riscos comuns
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Trunfos de Lula
- Cerca do dobro das intenções de voto de Flávio no Nordeste
- Reajuste de 15% no Bolsa Família na reta final
- Discurso de soberania após as sanções dos EUA (jul/2025)
- Proibição das bets, tema de maior repercussão nas redes
Trunfos de Flávio
- Folga no Sul, no Centro-Oeste e nas regiões do agronegócio
- PL lidera a disputa estadual em PR, RS, SC, RO e RR
- Força do voto evangélico
- Avaliação do governo com saldo negativo
Riscos que atingem os dois lados
Vazamentos de investigações ligadas aos casos Master e INSS alcançaram nomes dos dois campos, incluindo Flávio e um filho de Lula. A crise entre ministros do STF gerou decisões contraditórias sobre a campanha e levou ao cancelamento do debate da TV Globo. Pela primeira vez, a política americana entrou na disputa, com sanções, encontros em Washington e a classificação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas.
O mercado
Como a Bolsa e o dólar reagem em ano de eleição?
A tensão já aparece nos preços. O índice de volatilidade da B3 opera acima de 32 pontos e o dólar subiu quase 1% na quinta-feira, para R$ 5,22. Os juros futuros de prazo longo pagam mais de 14% ao ano, acima da Selic de 13,75%, sinal de prêmio de risco embutido. A edição O juro americano virou o piso do mundo explica por que os juros longos resistem mesmo com os cortes.
O retrato do mercado na véspera
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| Indicador↕ | Nível↕ | Referência↕ |
|---|---|---|
| Ibovespa | 187 mil pontos | 1º/10, alta de 16% no ano |
| Dólar | R$ 5,22 | 1º/10, queda de 5% no ano |
| Selic | 13,75% | Após 5 cortes desde março |
| Dívida bruta / PIB | 82,9% | Agosto |
O histórico mostra ganhos e perdas no ano seguinte à eleição sob governos de todos os campos. 2002 é o caso extremo, com o dólar subindo 52% no ano e a Bolsa quase dobrando em 2003. Em 2011 e 2015, a queda veio com a desaceleração da economia. O ambiente externo, a inflação e o fiscal explicaram mais do que o nome eleito.
O que acompanhar daqui para frente
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Calendário
1º turno em 4 de outubro. Eventual 2º turno em 25 de outubro. Posse em 5 de janeiro de 2027, primeira sob a nova regra constitucional.
Fiscal
Quem vencer herda dívida bruta de 82,9% do PIB, alta de 4,2 pontos só em 2026. A credibilidade da agenda fiscal tende a definir o rumo dos juros longos em 2027.
Juros
O Focus projeta Selic de 13,50% no fim do ano e inflação (IPCA) de 4,99% em 2026, acima do teto da meta. O espaço para cortes depende de como o mercado ler o vencedor.
Câmbio e Bolsa
O real acumula ganho de 5% no ano e o Ibovespa sobe 16%. A volatilidade tende a se concentrar entre os dois turnos. Para entender o que move o câmbio, veja a edição Dólar a R$ 5,00.
30 anos de Real
Como cada governo se saiu nos mesmos números?
Para ir além da campanha, comparamos os nove mandatos desde o primeiro governo FHC com os mesmos critérios. Nenhum presidente governou no mesmo mundo. Crises externas, preço das commodities e a herança do antecessor pesam tanto quanto as escolhas feitas em Brasília.
Cada governo diante dos mesmos números
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| Mandato↕ | PIB (média/ano)↕ | IPCA (média/ano)↕ | Selic no fim↕ | Dívida líquida↕ | Dólar↕ | Ibovespa em R$↕ | Ibovespa em US$↕ |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| FHC 1 (1995 a 1998) | 2,6% | 9,7% | 31,20% | +5,3 p.p. | +43% | +56% | +9% |
| FHC 2 (1999 a 2002) | 2,4% | 8,8% | 25,00% | +22,1 p.p. | +192% | +66% | −43% |
| Lula 1 (2003 a 2006) | 3,5% | 6,4% | 13,25% | −13,4 p.p. | −39% | +295% | +552% |
| Lula 2 (2007 a 2010) | 4,6% | 5,1% | 10,75% | −8,5 p.p. | −22% | +56% | +100% |
| Dilma 1 (2011 a 2014) | 2,4% | 6,2% | 11,75% | −5,4 p.p. | +59% | −28% | −55% |
| Dilma 2 (2015 a 2016) | −3,4% | 8,5% | 13,75% | +13,5 p.p. | +23% | +20% | −2% |
| Temer (2017 a 2018) | 1,6% | 3,4% | 6,50% | +6,7 p.p. | +19% | +46% | +23% |
| Bolsonaro (2019 a 2022) | 1,4% | 6,2% | 13,75% | +3,3 p.p. | +35% | +25% | −7% |
| Lula 3 (2023 a 2026) | 2,7% | 4,7% | 13,75% | +13,0 p.p. | 0% | +71% | +71% |
PIB e IPCA pela média anual do período. Selic de 1998 pela taxa efetiva de dezembro. Dívida líquida em pontos do PIB (série antiga do BC até 2000). Dólar e Ibovespa de fim de ano a fim de ano. Lula 3 usa dados de 1º/10/2026 e projeções do Focus para PIB e IPCA de 2026.
Os maiores PIBs médios ficam com Lula 1 e Lula 2, embalados pelo superciclo das commodities, enquanto FHC 2 carrega a desvalorização de 1999 e o maior salto da dívida líquida. A pior recessão aparece em Dilma 2, e a menor inflação média fica com Temer. Bolsonaro atravessou a pandemia e entregou dívida bruta menor que a recebida, e Lula 3 combina Bolsa em alta com dívida também em alta.
IDH, desigualdade e fome
Os indicadores sociais melhoram no longo prazo e recuam em recessões e na pandemia. O IDH foi de 0,666 em 1995 para 0,786 em 2023. O Gini, que mede a desigualdade de renda, caiu de 0,595 para 0,503 em 2024, e o IBGE registrou leve alta em 2025.
O lado social de cada mandato
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| Mandato↕ | IDH↕ | Gini↕ | Dívida bruta↕ | Mapa da Fome↕ | Contexto externo e choques↕ |
|---|---|---|---|---|---|
| FHC 1 | 0,659 → 0,680 | 0,595 → 0,596 | n.d. | No mapa | Crises do México (1995), da Ásia (1997) e da Rússia (1998) |
| FHC 2 | 0,680 → 0,700 | 0,596 → 0,581 | n.d. | No mapa | Desvalorização de 1999, apagão (2001), Argentina, eleição de 2002 |
| Lula 1 | 0,700 → 0,725 | 0,581 → 0,556 | n.d. | No mapa | Superciclo das commodities, China acelerando |
| Lula 2 | 0,725 → 0,748 | 0,556 → 0,537 | −3,7 p.p. | Saindo | Crise financeira global (2008) |
| Dilma 1 | 0,748 → 0,765 | 0,529 → 0,521 | +4,5 p.p. | Fora | Fim do boom das commodities |
| Dilma 2 | 0,765 → 0,765 | 0,521 → 0,534 | +13,5 p.p. | Fora | Recessão, crise política e impeachment (ago/2016) |
| Temer | 0,765 → 0,774 | 0,534 → 0,539 | +5,5 p.p. | Fora | Teto de gastos, greve dos caminhoneiros (2018) |
| Bolsonaro | 0,774 → 0,780 | 0,539 → 0,519 | −3,6 p.p. | De volta | Pandemia (2020), guerra na Ucrânia, inflação global |
| Lula 3 | 0,780 → 0,786 | 0,519 → 0,503 | +11,2 p.p. | Fora | Juros globais altos, tarifas dos EUA (2025) |
IDH e Gini no início e no fim de cada período (ano disponível mais próximo). Dívida bruta disponível a partir de 2006. Mapa da Fome pela situação no fim do período, segundo a FAO.
Dúvidas frequentes
O que os investidores mais perguntam
Quando são o 1º e o 2º turno da eleição de 2026?
Por que as plataformas de aposta dão favoritismo a Flávio se ele está atrás nas pesquisas?
A Bolsa sobe ou cai depois da eleição?
O que isso significa para o seu dinheiro?
Pesquisa e aposta apontam favoritos diferentes, e as duas leituras cabem na margem de erro do 2º turno. Parte da incerteza já está nos juros longos e no câmbio. A outra parte só sai do preço quando as urnas falarem.
Se a disputa seguir apertada até 25 de outubro, a volatilidade deve continuar alta em câmbio e juros longos, e a liquidez na carteira ganha valor.
Se o resultado ficar claro cedo, o prêmio de risco tende a se ajustar rápido, e a atenção passa para a agenda fiscal de quem vencer.
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Roger Gouveia
Estrategista Macro · Mesa Proprietária · Nvcleopar Investimentos
Fontes
- Datafolha: pesquisa presidencial, 28/09 a 1º/10/2026, 2.506 entrevistas.
- Quaest: pesquisas estaduais para presidente, set/2026 (PI: Datafolha).
- Brazil Journal: Flávio será presidente, pelo menos segundo a Kalshi e Polymarket, 1º/10/2026.
- Valor Econômico: Brasil vai às urnas para a disputa mais acirrada da história do país, 02/10/2026.
- XP Política: assertividade da Polymarket em 15 eleições.
- Kalshi: estudo de contratos eleitorais, ago/2026.
- IBGE: Contas Nacionais, IPCA e PNAD Contínua (Rendimento de todas as fontes 2025).
- Banco Central do Brasil: SGS (Selic, DLSP, DBGG), PTAX, Copom e Boletim Focus de 28/09/2026.
- DIEESE: Nota técnica 14 (DLSP 1994 a 2000).
- B3: Ibovespa. InfoMoney: fechamento de 1º/10/2026.
- PNUD: Relatório de Desenvolvimento Humano 2025.
- Banco Mundial: PIP (Gini), via Our World in Data.
- FAO: O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo (SOFI), edições 2014, 2022 e 2025.
Este material é informativo e não constitui oferta, recomendação ou sugestão de investimento. Rentabilidades passadas não são garantia de resultados futuros.

