Em 30 segundos
- 1IA quase triplicou: as vagas que pedem competências em IA saltaram de 63 mil para 182 mil em 2025 (alta de 188%) e passaram de 1,1% para 3,6% do total.
- 2O paradoxo: o total de anúncios caiu nos quatro grupos de exposição à IA, mas o desemprego ficou em 5,4%, o menor da série histórica.
- 3A exigência mudou: o quartil mais exposto acumulou 314 competências novas desde 2021, contra 88 no menos exposto, e vagas juniores têm 7 vezes mais chance de pedir perfil sênior.
- 4Mais uso que desenvolvimento: cerca de 102 mil vagas novas pedem uso da IA, contra 16,7 mil de desenvolvimento; no mundo, quem ganha produtividade contrata e paga mais.
O Barômetro de Empregos de IA 2026, da PwC, analisou mais de 1 bilhão de anúncios de vagas em 27 países. O recorte brasileiro, com cinco anos de dados (de 2021 a 2025) e divulgado em agosto, mostra um mercado que muda de exigência mais rápido do que muda de tamanho.
O número de vagas que exigem competências em IA saltou de 63 mil para 182 mil em um ano. No mesmo período, o total de anúncios de emprego no país caiu em todos os grupos de ocupação, inclusive nos menos expostos à tecnologia. E o emprego brasileiro segue aquecido, com desemprego de 5,4% no trimestre encerrado em junho, o menor da série histórica. O que está mudando é a exigência de quem contrata.
O que é exposição à IA
A PwC mede quanto das tarefas de cada ocupação pode ser feito com apoio de inteligência artificial. Um analista financeiro tem exposição alta porque passa o dia lendo, calculando e escrevendo. Um eletricista de campo tem exposição baixa. Com essa régua, todas as ocupações são divididas em quatro grupos iguais (quartis), do menos ao mais exposto.
Panorama
Quanto cresceram as vagas que pedem IA?
Em 2024, o Brasil anunciou 63 mil vagas que pediam alguma competência em inteligência artificial. Em 2025, foram 182 mil. São 119 mil oportunidades novas em doze meses, crescimento de 188%.
A parcela dessas vagas no total do mercado passou de 1,1% para 3,6%. Em volume absoluto ainda é pouco diante de um mercado que anuncia milhões de posições por ano. A inclinação da curva é o que importa para quem planeja contratação e alocação nos próximos anos. A edição O trabalho na era da IA mostra o mesmo movimento pelo lado de quem usa a ferramenta.
Tecnologia lidera, e o movimento é geral
No setor de tecnologia, mídia e telecomunicações, cerca de 13% das vagas abertas já pedem competências em IA, a maior intensidade do país. Todos os oito setores analisados aumentaram essa parcela em 2025, sinal de adoção ampla, bem além do universo digital.
O paradoxo
Se as vagas de IA crescem, por que o total de vagas caiu?
Entre 2024 e 2025, o número de anúncios recuou nos quatro quartis de exposição à IA. O grupo mais exposto caiu de 2,6 milhões para 2,5 milhões de vagas. O menos exposto, de 0,7 milhão para 0,6 milhão.
A queda generalizada enfraquece a leitura mais simples do fenômeno, a de que a IA estaria eliminando seletivamente as funções que consegue executar. Se fosse esse o caso, o quartil mais exposto teria encolhido muito mais que os outros. Não foi o que os dados mostraram.
Desde 2021, os anúncios cresceram mais rápido nas ocupações menos expostas à IA. Ainda assim, o quartil mais exposto concentra quatro vezes mais vagas em volume. O trabalho brasileiro continua ancorado em funções de escritório, atendimento e análise, exatamente as que a tecnologia mais toca.
vagas no quartil mais exposto à IA em 2025
Competências
Quais competências o mercado passou a exigir?
A correlação entre exposição à IA e mudança nas competências pedidas é de 0,26 no Brasil: positiva e modesta em magnitude, porém consistente ao longo dos quartis. Quanto maior a exposição, maior a rotação de habilidades exigidas na vaga.
O contraste fica evidente nas competências novas. Uma ocupação do quartil menos exposto acumulou 88 exigências que não apareciam em 2021. No quartil mais exposto, foram 314.
O que mudou na exigência
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A porta de entrada ficou mais estreita
Vagas juniores expostas à IA têm 7 vezes mais probabilidade de exigir competências tradicionalmente sêniores, como liderança e pensamento estratégico. No mundo, esse tipo de vaga cresceu 35% desde 2019, enquanto as demais funções de nível inicial diminuíram. Quem contrata quer alguém que já chegue decidindo.
O prêmio está nas competências humanas
As funções mais expostas à IA estão incorporando tarefas que dependem de empatia, julgamento e criatividade 2,5 vezes mais rápido do que as menos expostas. A parte técnica do trabalho ficou mais barata. A parte de decidir ficou mais cara.
Quem se beneficia
- Quem combina domínio técnico com julgamento de negócio
- Especialistas que revisam e validam o trabalho da máquina
- Profissionais com repertório para decidir sob ambiguidade
- Quem supervisiona times mistos de pessoas e agentes
Quem fica vulnerável
- Execução repetitiva de baixa variabilidade
- Apoio administrativo distante da decisão
- Perfis juniores sem exposição a problemas reais
- Quem domina uma ferramenta específica em vez do problema
Uso e desenvolvimento
O Brasil contrata para usar ou para desenvolver IA?
A maior parte das vagas relacionadas à IA pede alfabetização digital e uso aplicado da ferramenta. Foram cerca de 102 mil vagas novas nessa categoria em 2025. As funções de desenvolvimento, que exigem competências avançadas, somaram aproximadamente 16,7 mil, também em aceleração.
O perfil de uso predomina em todos os setores analisados. Em varejo e consumo, chega a 97%. A exceção relativa aparece na saúde, onde 29,8% das vagas de IA pedem desenvolvimento, sinal de construção de ferramentas próprias do setor.
Onde estão as vagas e que tipo de IA cada setor pede
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| Setor↕ | Parcela do total de vagas no Brasil↕ | Perfil da demanda por IA↕ |
|---|---|---|
| Energia e utilidade pública | 19,5% | Uso operacional |
| Produção industrial | 14,8% | Uso operacional |
| Serviços profissionais | 14,3% | Uso analítico |
| Varejo e consumo | 13,9% | 97% em uso |
| Saúde | 2,9% | 29,8% em desenvolvimento |
| Governo e setor público | 0,8% | Adoção inicial |
No mundo, quem ganha produtividade contrata mais
As empresas dos setores mais expostos à IA registram crescimento de produtividade 40% maior que as menos expostas. Também ampliam o quadro mais rápido (52% ante 36%) e concedem aumentos maiores (24% ante 17%). O ganho de eficiência tem aparecido como expansão de folha e de quadro.
Agenda
Como usar esses dados na prática?
Quatro leituras práticas
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Leitura de empresas
Ao avaliar uma empresa que anuncia ganhos com IA, olhe quadro de pessoal e folha junto com a margem. As líderes globais estão contratando mais e pagando mais. Corte de pessoal embrulhado em promessa de tecnologia merece ceticismo.
Carreira
Fluência na ferramenta virou requisito básico, e requisito básico não diferencia ninguém. O que separa é contexto de negócio e capacidade de decidir com informação incompleta.
Alocação
Setores com adoção intensa e folha cara tendem a mostrar ganho de margem primeiro. Serviços profissionais, financeiro e tecnologia lideram essa fila no Brasil, e é onde o efeito deve aparecer antes no resultado trimestral.
Risco de funil
Se a porta de entrada continuar estreitando, o estoque de profissionais sêniores da próxima década fica comprometido. Empresas que cortarem formação hoje vão pagar caro por talento pronto depois.
Para relembrar como a discussão começou, veja também a edição IA e o mercado de trabalho.
Dúvidas frequentes
O que os investidores mais perguntam
A IA está destruindo vagas no Brasil?
Quais profissionais ganham com a IA?
O que significa uma ocupação estar exposta à IA?
O que isso significa para você?
Os dados de 2025 descrevem uma reprecificação silenciosa do que vale a pena contratar no Brasil. O volume de vagas encolheu em todos os grupos de ocupação, enquanto a exigência de competências novas disparou justamente onde a IA mais atua.
Se a adoção brasileira seguir o padrão global, as empresas que mais ganharem produtividade vão ampliar quadro e salário. A pressão se concentra nas funções de execução repetitiva.
Se o funil de entrada seguir estreitando, o país enfrenta escassez de profissionais sêniores na próxima década, com salários bem mais altos para quem atravessar a transição.
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Roger Gouveia
Estrategista Macro · Mesa Proprietária · Nvcleopar Investimentos
Fontes
- PwC Brasil: Barômetro de Empregos de IA 2026, Análise do Brasil (ago/2026).
- PwC: 2026 AI Jobs Barometer, análise de mais de 1 bilhão de anúncios de vagas em 27 países e territórios.
- Lightcast: base de anúncios de vagas utilizada na análise da PwC.
- IBGE: PNAD Contínua, trimestre móvel encerrado em junho de 2026.
Este material é informativo e não constitui oferta, recomendação ou sugestão de investimento. Rentabilidades passadas não são garantia de resultados futuros.

