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O Nvcleo do MercadoEdição 11Análise macro

Elétricos chegam à tomada do mercado

Como o Brasil saltou de 1.091 para 285.000 veículos eletrificados em uma década

A venda de elétricos e híbridos plug-in superou o de híbridos convencionais desde 2023. A indústria local ainda não reagiu. O mapa do poder no setor automotivo está mudando, e rápido.

Roger Gouveia
Roger GouveiaEstrategista Macro · Mesa Proprietária
Junho de 20268 min de leitura

Em 30 segundos

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    Virada rápida: em abril de 2026, 18,3% dos carros vendidos no Brasil eram eletrificados. Dois anos antes, a fatia mal chegava a 7%.
  • 2
    O bolso decide: 56% dos brasileiros querem um elétrico para gastar menos com combustível, à frente da preocupação ambiental (48%).
  • 3
    As chinesas avançam: a BYD saiu do zero para a quinta posição em três anos, e a GM caiu de 16,3% para 10,3% do mercado.
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    Produzir aqui virou vantagem: o imposto de importação de elétricos e híbridos sobe para 35% em julho, e só 35% dos brasileiros mantêm a marca na troca de carro.

O cenário

Quanto os carros elétricos já vendem no Brasil?

Em abril de 2026, 18,3% de todos os carros vendidos no Brasil eram eletrificados. Dois anos atrás, essa fatia mal chegava a 7%.

A velocidade da virada pegou de surpresa até os mais otimistas do setor. O motor desse crescimento é simples: o bolso. Pesquisa da Deloitte mostra que 56% dos brasileiros querem um elétrico para cortar gasto com combustível, o maior percentual entre todos os 27 países estudados. Com o preço do petróleo pressionado pela guerra no Oriente Médio (tema da edição Tensão geopolítica e mercados), a conta ficou impossível de ignorar.

O dado que define a década: de 1.091 unidades em 2016 para 285.436 em 2025, um crescimento de 261 vezes em nove anos. A Anfavea projeta 450 mil unidades eletrificadas em 2026, alta de 57,6% sobre 2025. O mercado não está acelerando: está decolando.

Venda de veículos eletrificados (híbridos, híbridos leves, 100% elétricos e híbridos plug-in), em unidades. O dado de 2025 inclui 61.340 híbridos leves, sem tração elétrica · Fontes: Anfavea, Deloitte, ABVE, Fenabrave · toque para ampliar

Desde 2023, a soma de plug-ins e 100% elétricos ultrapassou os híbridos convencionais. A virada aconteceu silenciosamente, mas seus efeitos são permanentes. Em 2022, carros sem tomada representavam 59,4% das vendas de eletrificados. Em 2024, caíram para 29,2%. A preferência do consumidor ficou clara.

18,3%

dos carros vendidos no Brasil em abril de 2026 eram eletrificados

Participação nas vendas de eletrificados (%): híbridos sem tomada (azul) e plug-in + 100% elétrico (âmbar); 2026 acumulado até abril · Fontes: Anfavea, Deloitte, ABVE, Fenabrave · toque para ampliar

Motivações

Por que o brasileiro está comprando carro elétrico?

O bolso manda, e o planeta vem junto. O brasileiro que migra para o elétrico não é movido por ideologia. É movido por planilha. A economia de combustível lidera com 56%, bem à frente da preocupação ambiental (48%). Em outros mercados, a ordem costuma se inverter.

Isso explica por que os modelos compactos e urbanos são os que mais crescem. E explica também por que a crise do petróleo no Oriente Médio age como um acelerador estrutural da eletrificação no país.

Principais razões para escolher um elétrico, em % · Fonte: Deloitte, segunda pesquisa no Brasil (2025) · toque para ampliar

Mercado

Quem está ganhando mercado entre as montadoras?

O ranking mudou, e vai continuar mudando. Em três anos, a BYD saiu do zero para a quinta posição no mercado brasileiro. O grupo "Outros", em sua maioria marcas chinesas, saltou de 8% para 17% de participação. Fiat e Volkswagen ainda lideram, mas a GM caiu de 16,3% para 10,3%.

A indústria instalada no país ainda não produz carros carregáveis em escala. A Volkswagen promete revelar sua primeira picape elétrica nacional em breve. A GM e outras veteranas perdem terreno enquanto a decisão não vem.

Participação no mercado brasileiro por marca

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Interativo
Marca↕1º quad. 2023↕1º quad. 2026↕Variação↕
Fiat22,10%20,63%−1,5 p.p.
Volkswagen13,80%16,29%+2,5 p.p.
GM16,26%10,34%−5,9 p.p.
BYDn/a6,72%Estreante
Outros (chinesas etc.)8,0%17,0%+9,0 p.p.

Fontes: Fenabrave / Anfavea, 1º quadrimestre de cada ano.

O Brasil é o mercado mais infiel do mundo

Só 35% dos brasileiros mantêm a marca na troca de carro, o menor índice entre os 27 países pesquisados. No Japão, são 51%. Na Alemanha, 45%. Para as montadoras tradicionais instaladas aqui, isso é uma ameaça real: o consumidor não tem lealdade que as proteja da concorrência chinesa.

Quem ganha e perde

Quem ganha e quem perde com a eletrificação?

A transição redistribui poder, dentro e fora do carro.

Beneficiados e vulneráveis

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Interativo

Beneficiados

  • Montadoras chinesas (BYD, Geely, GWM): já produzem plug-ins e ganham mercado rapidamente.
  • Consumidor de renda média-alta: economia real de combustível e tecnologia conectada.
  • Taxistas e motoristas de app: o programa Move Brasil subsidia carros de até R$ 150 mil.
  • Fornecedores de carregadores: 21 mil eletropostos hoje, em crescimento acelerado.

Vulneráveis

  • Montadoras tradicionais sem plug-in (GM, Stellantis): perdem participação sem produto adequado.
  • Fornecedores de peças a combustão: motores, escapamentos e transmissões perdem relevância.
  • Postos de combustível tradicionais: o volume de abastecimento cai com frotas eletrificadas.
  • Importadores sem produção local: a alíquota de importação sobe para 35% a partir de julho.

Movimentos para acompanhar

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Interativo

Parceria Renault-Geely

A união das duas montadoras no Brasil abre espaço para produção local de elétricos. Um SUV híbrido plug-in já está confirmado. Um modelo 100% elétrico está em estudo para o Paraná.

BYD já produz no Brasil

A fábrica da BYD em Camaçari (BA) é o primeiro grande investimento chinês em produção de elétricos no país. Ela dá à marca proteção tarifária e capacidade de competir em preço com os nacionais a combustão.

Alíquota de 35% a partir de julho

A elevação do Imposto de Importação para híbridos, elétricos e semimontados muda a equação de preço dos importados. Quem produz localmente sai na frente.

Indústria local sem resposta

GM, Stellantis, Honda e Toyota ainda não revelaram quando produzirão plug-ins no Brasil. Cada trimestre sem produto é participação perdida para as chinesas, em um mercado de consumidores sem fidelidade de marca.

Para você

O que isso significa para o investidor?

A eletrificação no Brasil deixou de ser tendência e virou realidade de mercado. A velocidade da mudança superou as previsões, e continua acelerando.

Quem produz plug-in localmente ganha. Quem ainda depende só de combustão perde participação. E o consumidor brasileiro, movido pelo bolso e sem fidelidade de marca, vai continuar escolhendo o carro mais barato de operar.

Dois cenários para acompanhar:

  • Se a alíquota de 35% em julho encarecer os importados, marcas com fábrica local (BYD e, futuramente, Volkswagen) ganham vantagem competitiva imediata.
  • Se a produção local de baterias ganhar escala, o Brasil pode se tornar exportador regional, uma oportunidade para a cadeia de fornecedores e para o mercado de capitais.

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Roger Gouveia

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Roger Gouveia

Estrategista Macro · Mesa Proprietária · Nvcleopar Investimentos

Fontes
  • Valor Econômico: "Venda de elétricos avança e põe indústria local à prova", maio de 2026.
  • Deloitte: segunda pesquisa global de consumidores de veículos, 2025 (27 países, 28.500 respondentes).
  • Fenabrave / Anfavea: dados de emplacamentos e projeções de mercado, abril de 2026.
  • ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico): relatório mensal de eletrificados, maio de 2026.

Este material é informativo e não constitui oferta, recomendação ou sugestão de investimento. Rentabilidades passadas não são garantia de resultados futuros.