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O Nvcleo do MercadoEdição 01Análise especial

Tensão geopolítica e mercados: o que a história nos ensina

Um panorama sobre os dois caminhos possíveis, e onde estão as oportunidades

Os mercados estão agitados. Desde o pico de janeiro, o S&P 500 acumula queda de cerca de 5%, e a tensão entre Irã e EUA continua gerando ruído. Antes de tomar qualquer decisão precipitada, vale a pena colocar isso em perspectiva histórica.

Roger Gouveia
Roger GouveiaEstrategista Macro · Mesa Proprietária
Março de 20268 min de leitura

Em 30 segundos

  • 1
    Choques passam: em 7 grandes choques geopolíticos desde 1950, o S&P 500 caiu no momento do evento e se recuperou nos meses seguintes, com alta média de 10 a 12% no primeiro ano.
  • 2
    Queda dentro do padrão: o recuo atual, de cerca de 5% desde o pico de janeiro, está em linha com o que a história mostra.
  • 3
    O risco é a estagflação: se o petróleo ficar caro por meses, ativos reais ganham. Entre 1969 e 1981, ouro e commodities subiram de 50% a 127% em vários anos, enquanto bolsa e títulos americanos perdiam.
  • 4
    Brasil nos dois cenários: quando o petróleo sobe mais de 30%, a América Latina supera todas as regiões do mundo, segundo o J.P. Morgan, e a Bolsa brasileira é feita de empresas reais.

Cenário 1

O que acontece com a bolsa depois de um choque geopolítico?

Desde 1950, o mercado americano passou por pelo menos 7 grandes choques geopolíticos, da Guerra do Golfo à invasão da Ucrânia. Em todos eles, o comportamento foi parecido: queda no momento do choque, seguida de recuperação consistente nos meses seguintes.

S&P 500 após 7 grandes choques geopolíticos desde 1950: em verde, o ciclo atual; em azul, a média e a mediana históricas · Fonte: Goldman Sachs Global Investment Research · toque para ampliar
10 a 12%

Alta média do S&P 500 no primeiro ano após grandes choques geopolíticos

Na média, o S&P 500 encerrou o primeiro ano pós-evento com alta de aproximadamente 10 a 12%. O recuo atual, de 5%, está em linha com esse padrão, e muitos investidores estão enxergando nisso uma janela de oportunidade.

S&P 500 em torno de choques geopolíticos: o mercado cai só no momento do choque e, após 250 dias, fica na média entre 5% e 8% acima do nível do evento · Fonte: Macrobond / GlobalData TS Lombard · toque para ampliar

O que isso significa na prática

Se o conflito for contido e não escalar, o histórico favorece fortemente quem manteve a posição. Vender no pânico, nesse tipo de evento, costuma ser a pior decisão possível.

Cenário 2

E se o conflito se alongar? O risco da estagflação

Existe um segundo cenário que precisa ser monitorado. Se o conflito se alongar e pressionar os preços do petróleo por meses, o mundo pode enfrentar um ambiente de estagflação: inflação alta combinada com crescimento econômico fraco.

Já vivemos isso. Entre 1969 e 1981, o mundo passou por um ciclo prolongado de estagflação. O gráfico abaixo mostra os vencedores e os perdedores daquele período.

Retornos anuais por classe de ativo na estagflação de 1969 a 1981, do melhor ao pior: ouro em laranja, commodities em verde, S&P 500 em azul-escuro · Fonte: BofA Global Research / Bloomberg / GFD Finaeon · toque para ampliar

Quem detinha ativos reais saiu consistentemente na frente. Em vários anos daquela década, commodities e ouro subiram entre 50% e 127%, enquanto a bolsa americana e os títulos do governo registravam perdas. A renda fixa americana, vista como "segura", foi um dos piores ativos do período.

Em um ambiente de estagflação, o ciclo costuma seguir três fases:

As 3 fases da estagflação

Toque em cada item para ver a explicação

Interativo

Commodities e moedas exportadoras sobem

Petróleo, minério e alimentos se valorizam. Países produtores, como o Brasil, se beneficiam imediatamente.

Inflação alta favorece ativos reais

Empresas que produzem coisas físicas repassam preços. Bancos lucram com juros mais altos. Renda fixa sofre.

Normalização beneficia emergentes

Com a queda da inflação global, o dinheiro volta para mercados emergentes com fundamentos sólidos.

Por que o Brasil?

Por que a Bolsa brasileira protege nos dois cenários?

Aqui está o ponto que muitos investidores ignoram: a Bolsa brasileira tem uma composição muito diferente da americana. Enquanto o S&P 500 é dominado por tecnologia, o Ibovespa é carregado de empresas reais: Petrobras, Vale, bancos, agronegócio.

Retorno médio por região e por país da América Latina quando o petróleo sobe mais de 30%: a América Latina lidera, com 17% a 19% · Fonte: Bloomberg / J.P. Morgan · toque para ampliar

O J.P. Morgan identificou que, em períodos em que o petróleo sobe mais de 30%, a América Latina supera todas as regiões do mundo. Entre os países, Brasil, Argentina e Peru lideram esse desempenho. Para entender como o capital estrangeiro tem chegado à Bolsa brasileira, leia também O novo ouro.

Como cada ativo reage em cada cenário

Toque numa linha para destacar, ou no cabeçalho para ordenar

Interativo
Ativo↕Inflação alta↕Petróleo em alta↕Crescimento fraco↕
Renda fixa EUAPerde valor realNeutro / negativoMelhor relativo
S&P 500 (tech)Valuations caemCustos sobemLucros comprimem
Ouro / commoditiesSobe forteSobe forteReserva de valor
Bolsa brasileiraEmpresas repassam preçosPetrobras, Vale sobemExportações sustentam
Por que a bolsa protege da inflação? Ao comprar uma ação, você adquire participação em uma empresa real, com ativos físicos, estoques e capacidade de repassar custos ao consumidor. É fundamentalmente diferente de um título de renda fixa, cujo retorno é fixo enquanto a inflação corrói o poder do dinheiro.

Para você

O que isso significa para você?

Não estamos dizendo que um cenário é mais provável que o outro. O que podemos dizer é que, nos dois caminhos, a exposição a ativos reais e à Bolsa brasileira aparece como uma alternativa mais robusta do que o senso comum sugere.

Os dois caminhos

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Interativo

Se o conflito for curto

A paciência é recompensada. O histórico é claro: o mercado cai no choque e se recupera nos meses seguintes.

Se o conflito se alongar

Ativos reais e o Brasil têm vantagem estrutural em um ambiente de petróleo caro e inflação alta.

Diante de incerteza, diversificação com visão estrutural é sempre o melhor caminho.

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Roger Gouveia

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Roger Gouveia

Estrategista Macro · Mesa Proprietária · Nvcleopar Investimentos

Fontes
  • Goldman Sachs Global Investment Research
  • BofA Global Research
  • J.P. Morgan
  • Macrobond / GlobalData TS Lombard

Este material é informativo e não constitui oferta, recomendação ou sugestão de investimento. Rentabilidades passadas não são garantia de resultados futuros.